A incompreendida
- 12 de jun. de 2017
- 2 min de leitura

No circulo onde estou inserida quer seja família, amigos, colegas, conhecidos são poucos os que me compreendem. São poucos os que não compreendem o porquê de não tomar comprimidos para as dores menstruais, ou qualquer outra dor. São poucos os que compreendem o meu isolamento. São poucos os que compreendem o porquê de raramente sair à noite e o porquê de eu dizer que me faz mal. São poucos os que compreendem o meu silêncio e são pouco os que compreendem as minhas palavras. São poucos os que compreendem a minha forma de estar, de trabalhar, de amar,... São poucos! E são poucos porque esta é a ferida mais profunda que tenho e que ando a curar há já algum tempo. Em criança ouvi tantas vezes "Lá tás tu com essas ideias!" "Não sabes o que dizes!" "Achas mesmo que és tu que vais mudar alguma coisa?" que provocou em mim a maior dor que cá vim enfrentar e curar. Vim aprender a me aceitar, amar, cuidar, seguir o coração, mas por vezes a forma como o Universo nos coloca as coisas à frente é muito irónica e dolorosa. Crianças que tentam encontrar o apoio da família e apenas recebem criticas, risos e castigos faz com que se sintam mais tarde incompreendidos. Sentem-se "à parte", diferentes, marginalizados, "fora da caixa", de outro planeta. Não sentem pertença....não se sentem inseridos, em lado nenhum!

Aprender a ganhar auto estima, amor próprio não é tarefa fácil. Aprender que sabemos fazer, que sabemos falar, que sabemos sentir, que importamos, que somos alguém é um caminho árduo de persistência e dedicação. Por vezes parece que esta memória leva a melhor, mas felizmente vou-me recordando do caminho que já percorri e do que já conquistei. Também agradeço imensamente às pessoas que me recordam que sou mais! Que sou mais do que essa velha memória e sim, por vezes a forma como me recordam não é das mais agradáveis. Quando a forma de recordar que é necessário continuar o caminho da cura não é o mais doce, fico revoltada, injustiçada, INCOMPREENDIDA. Fico magoada e desapareço. Desapareço por um tempo ou definitivamente da vida dessa/s pessoa/s. Claro que mais tarde e de cabeça fria observo o porquê de ter acontecido e então, peço perdão. A dor é grande, um verdadeiro gigante em terra de gente pequena. O caminho vai-se fazendo. A cura vai acontecendo. A aceitação vai-se instalando, mas até lá vou vendo este monstro a espreitar a cada esquina e até lá vou tendo o privilégio de me cruzar com tantos que me trazem mais um pouco de mim de presente. Acima de tudo vou me reconectando com a fé que existem em mim. Fé que com anos de desconexão foi-se apagando, mas que aos poucos activou e se instalou no meu coração.
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